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quarta-feira, junho 12, 2019

GRAVEL ZONE BRASIL / Dirty Kanza 200 2019

Montanha russa de emoções em mais de 300Km pelas colinas do Kansas.

No ano passado, após completar meu primeiro Dirty Kanza (https://dirtykanza.com/), a mais famosa e difícil prova Gravel do planeta, já comecei a planejar a corrida de 2019, um indício inconteste de que se trata de um evento viciante. Em 2018 competi nas 100 milhas terminando muito bem a prova, então nada mais natural que agora estivesse inscrito na principal distância, aquela que fez a fama do Dirty Kanza, as 200 milhas.

Foto: Arquivo pessoal

A preparação.


Em julho de 2018 já estava treinando para o DK 200 de 2019. Apesar de não ter um técnico "real" e trabalhar em tempo integral, o maravilhoso Zwift (https://zwift.com/en/) foi meu treinador virtual, me ajudando a mensurar e melhorar minha condição física. Treino em média 5 dias por semana com o smart trainer e o Zwift; no sábado ou domingo me dedico a treinos técnicos de longa distância nas estradas da região onde moro.

Apesar de tentar muito, nunca consegui patrocínio para disputar esse tipo de prova e precisava ganhar experiência em corrida, então não teve jeito, juntei todas as minhas economias e fiz até empréstimo no banco para poder competir. Mesmo vivendo no México e estando relativamente perto dos Estados Unidos, o meu budget me permitiria participar de apenas 2 provas durante toda a temporada 2019. Escolhi a Land Run 100 disputada no estado de Oklahoma em março e obviamente o Dirty Kanza 200 que acontece no início de junho no Kansas. Os dois estados ficam no chamado Meio Oeste Americano e proporcionam desafios semelhantes em termos de relevo, ventos, etc.

Neste ano, meus objetivos primários eram basicamente ser competitivo nas 100 milhas da Land Run e completar as 200 milhas do Dirty Kanza.

Não escrevi um relato sobre a Land Run 100, mas meu desempenho em Oklahoma num dia gelado de março foi fantástico. Numa categoria muito ampla, de 40 a 49, completei a prova na 29ª posição entre mais de 250 ciclistas, terminando na tabela de classificação entre dois profissionais de idades similares à minha, o famosíssimo Jay Petervary, que viria a vencer o DKXL 2019 (350 milhas) e Bob Cummings, chefe da Equipe Panarecer/Factor que já foi pódio no DK200. Estive quase o tempo todo andando na frente do Jay e cruzei a linha de chegada apenas 1 minuto atrás dele, além de outro minuto na frente do Bob.

Land Run 100 2019 - Foto: Arquivo Pessoal

Mesmo tendo plena consciência que as 200 milhas são um "bicho" completamente diferente, minha performance na Land Run 100 me fez querer mais no Dirty Kanza 200.


Respirando Gravel.

Exatamente como no ano passado, embarquei na quarta-feira anterior à corrida com destino a Emporia no Kansas, a viagem seria relativamente rápida. Saindo no começo da manhã, chegaria lá no início da tarde, com tempo para fazer um reconhecimento de algumas partes da prova e aproveitar as atividades espetaculares que a cidade e o evento como um todo oferecem.

Este ano estava mais complicado chegar lá, a pequena cidade do Kansas perdeu sua linha de ônibus diária, um problema a mais para aqueles que viajam sem carro, meu caso. O negócio seria pegar um Uber no aeroporto de Kansas City até Emporia, uma corrida caríssima de mais ou menos 150 dólares! De todas as maneiras, quem está na chuva é para se molhar.

Apesar da animação com a viagem, o dia começou caótico para mim. Nem dormi na noite anterior, cheguei ao aeroporto às 3:00h da madrugada para voar às 6:00h. Já dentro do avião da American Airlines, o piloto comunicou que havia um problema num sensor e iriam reparar. A decolagem atrasou duas horas e dei adeus à minha conexão. Chegando em Dallas foram simplesmente quase duas outras horas para passar a imigração. Meu novo voo estava marcado para 14:30h, mas eu tinha tempo. Às 13:00h veio um aviso de tornado, fecharam o aeroporto e atrasaram todos os voos. As coisas complicaram ainda mais! Quando ia entrar no voo que tinha sido atrasado para às 19:30h, veio o aviso que ele estava cancelado. Tive que remarcar correndo e me colocaram em outro às 20:30h, sem a garantia que meu mala-bike seria embarcado comigo. Dito e feito. Cheguei 22:30h em Kansas City e a bike ficou em Dallas. Aí começou todo um processo de fazer reclamação, rastrear a mala e torcer para eles me entregarem ela logo. Tomei um Lyft (concorrente do Uber) às 23:00h em Kansas City. O mais louco foi encontrar um motorista brasileiro. Vini me levou para Emporia, onde depois de toda essa maratona cheguei à 1:00h da manhã, já na quinta-feira. Fui dormir morrendo de medo da bike não chegar a tempo de competir.

Na quinta-feira pela manhã me ligaram da American avisando que tinha encontrado o mala-bike e que iriam me trazer ele até às 15:00h no hotel. Ufa! Ela, a bike, finalmente chegou.

Foto: Arquivo Pessoal

Montei correndo e fui reconhecer as primeiras milhas de prova. Fiz um treino animador, 2 horas de pedal muito rápido que me deram ainda mais confiança para a prova. O trajeto era completamente novo, mas a parte onde treinei, parecia muito favorável a meu estilo de pedal.

Sexta-feira é uma festa só em Emporia, um lugar com uma vibe fantástica. Dia de retirar seu kit de competidor, deixar as suas sacolas (drop bags) para a equipe de apoio levar até os checkpoints. Neste ano, a prova, que foi vendida a uma grande empresa do setor de competições, a Lifetime, ganhou ares de superprodução. Somando todas as distâncias, foram nada menos que 3.500 atletas inscritos.

Imagina uma versão da Interbike ou da Eurobike, específica para Gravel. Essa foi a "All Things Gravel Expo" que rolou em Emporia, dezenas de expositores, bikes para test-ride, lançamentos da indústria, etc. Só estando lá para ver como foi legal.

Foto: Christopher Nichols

Desta vez a pequena Emporia estava tão cheia que nem consegui entrar na famosa cervejaria Radius para comer sua deliciosa pizza. De todas as maneiras o ambiente Gravel era contagiante.

Hora de socar a bota.


Chegou o dia, depois de dormir pouco, como de costume no DK, despertei às 4:00h da madruga para tomar café e me preparar para a largada às 6:00h em ponto. Ao contrário do ano passado, neste ano o tempo estava firme e quente, ainda que a previsão era de 50% de possibilidade de chuvas no decorrer da tarde. Por precaução, levei um corta-vento impermeável na bolsa de quadro.

Nas semanas anteriores ao Dirty Kanza 2019, Emporia sofreu com as enchentes decorrentes de uma quantidade anormal de chuvas, por isso no momento de escolher meus pneus para a prova, passei a buscar um modelo de uso misto, que fosse bem nas mais variadas condições, no seco e no barro. Outro pré-requisito fundamental para esses pneus seria uma boa proteção anti-furos. Para quem não sabe, o cascalho que deu o nome às Flint Hills, onde acontece a corrida, é extremamente afiado, uma verdadeira máquina de furar pneus. Depois de muito pesquisar e considerar, acabei decidindo pelo Rutland da Teravail (https://teravail.com/tires/rutland) na medida 700x42mm. É um modelo novo que está disponível nas variações "Light and Supple" (Leve e Flexível) ou "Durable" (Durável) com paredes e banda de rodagem reforçadas. Teoricamente o primeiro tipo ofereceria um pedal mais confortável, mas preferi carregar 50 gramas a mais em cada pneu contando com a proteção extra da versão durável, que na prática se mostrou fantástica e incrivelmente confortável em baixas pressões. Corri com 29psi na dianteira e 33 na traseira. Foi o melhor pneu Gravel que já usei, o curioso é que na prova, além de mim, só vi o Jay Petervary (patrocinado pela marca) com a mesma combinação.

Foto: Arquivo Pessoal

Voltando à corrida, às 5:30h eu já estava alinhado para largar. O mais louco é que a rua estava cheia quando cheguei, tanto que não fiquei tão próximo das primeiras filas, ainda que numa corrida de 200 milhas isso não seja propriamente um problema.

Tinha um propósito inicial no DK, aguentar o máximo de tempo possível no primeiro pelotão com os profissionais. Dada a largada, me coloquei na lateral da rua e acelerei para chegar na terra junto com os PROs. Os ciclistas são escoltados pela polícia até o momento em que tocam o cascalho.

Foto: Lifetime Productions

Daí em diante começou uma experiência incrível. Durante os primeiros 30Km de prova me mantive no primeiro pelotão e atingi uma média de velocidade até então inédita para mim, nada menos que 33.7Km/h nessa primeira hora de prova com uma potência de 306W. Essa foi uma pequena vitória pessoal, além do que a possibilidade de estar pedalando lado a lado com os profissionais é uma das coisas mais legais das provas Gravel nos Estados Unidos.

 
Fonte: Strava

No top tube da minha bike estava estampado meu mantra para a corrida: "Socar a bota como se não houvesse amanhã!". Pelo menos nesse começo de prova foi o que eu fiz com perfeição.

Foto: Arquivo Pessoal

Em um dado momento fui ultrapassado pelo Lachlan Morton, profissional da Equipe Education First, que tinha furado o pneu. O que realmente impressiona nos PROs é a capacidade que eles tem de mudar seu ritmo de uma maneira impressionante.

Com 1.5 hora de prova deixei para trás o grande piloto canadense Geoff Kabush, a ironia é que ele que tem o patrocínio da Maxxis estava com um pneu furado, a mesma coisa aconteceu com o Bob Cummings, piloto da Panaracer. Senti que eu estava num bom momento, tentando manter o ritmo ao máximo e agradecendo aos céus pela minha escolha de pneus.

Foto: Corky Heller

Na verdade, muito além desses profissionais que tiveram seus contratempos normais, nunca em toda minha vida de ciclista tinha visto tanta gente com pneu furado, o mais incrível foi constatar durante toda a prova que ainda existe gente que não usa tubeless num evento desse porte, inacreditável, porque aí é vacilo.

A parte mais longa, e difícil (quase interminável) do DK 200.


Cheguei em Alma na milha número 65, local do primeiro checkpoint, mantendo o ritmo planejado por mim antes da prova.

Minha maior preocupação durante as 200 milhas era conservar a energia em alta, por isso a hidratação e a nutrição foram pontos-chave no momento de montar uma estratégia de prova. Nesse sentido, usei um plano de nutrição que comprei no site da CORE Nutrition Planning (https://www.fuelthecore.com/) e já tinha funcionado super bem na Land Run 100, entretanto sempre existem situações que fogem a nosso controle e elas estavam prestes a acontecer!

Foto: Arquivo Pessoal

Uma frase que aprendi nas corridas anteriores aqui nos Estados Unidos é: "Prepare-se para o pior, espere pelo melhor". Ainda que fiz toda uma preparação partindo dessa premissa, subestimei a segunda perna de corrida, a mais longa dos últimos anos, já que a organização eliminou um dos checkpoints habituais, desta vez seriam somente dois no total.

Nesse checkpoint 1 fui recebido pela minha equipe de apoio, o Crew for Hire, a opção mais acessível (ainda que não necessariamente barata) para quem não tem um apoio particular, todos os seus membros são voluntários e o valor arrecadado com a equipe é repassado a instituições de caridade da região. No ano passado eles fizeram um trabalho sensacional. Neste ano, pelo menos no primeiro checkpoint as coisas não funcionaram tão bem.

Reabasteci minhas 4 caramanholas com água e energético, uso o excelente produto em pó da Tailwind Nutrition (https://www.tailwindnutrition.com/), coloquei uma quantidade supostamente suficiente de gels e chews (gominhas) nas minhas bolsas de quadro e top tube, pois seriam 85 milhas até o último checkpoint em Council Grove. Uma distância que estou mais que acostumado a rodar sem paradas, a confiança continuava em alta, mesmo sabendo que estava prestes a encarar a estrada conhecida como "Little Egypt", considerada a parte mais técnica de toda a edição 2019 do DK 200.

Deixei rápido o checkpoint e a temperatura não parava se subir, exigindo um reforço na hidratação. Foi aí que percebi que tinha algo errado com a água que me ofereceram em Alma, ela tinha gosto de alvejante, seguramente era água de torneira com um tipo de química para torná-la adequada ao consumo.

Depois da milha 90, era finalmente apresentado ao "Little Egypt", uma estrada mais estreita e inclinada com uma quantidade surreal de pedras soltas, todas afiadas, esperando para cortar seus pneus! Ao contrário dos ciclistas que estavam no meu grupo, não empurrei na subida técnica desse setor, contudo começava a me sentir mais cansado, com um pouco de náusea por conta da água, cujo sabor desagradável ficava mais evidente.

Foto: Linda Guerrette

Mais ou menos na metade da prova, a organização disponibilizou um posto neutro de água. Quando parei para reabastecer aí, encontrei ninguém menos que Taylor Phinney, profissional da Equipe Education First também enchendo suas caramanholas. Enquanto eu estivesse cruzando com profissionais era um indício que as coisas iam bem. O que não ia bem era a qualidade da água, aí foi a mesma coisa, parecia que estava bebendo água sanitária quente.

Segui em frente, mas comecei a sofrer os efeitos de não estar me hidratando como deveria. Logo percebi que não seria tão tranquilo completar essa perna de 85 milhas, passei a perder várias posições, simplesmente não conseguia manter o ritmo que estou acostumado.

Depois da milha 120, cheguei a mais um posto neutro de água em Alta Vista... A mesma coisa, água ruim, temperatura subindo e meu ritmo caindo. Me fez falta levar comida sólida para me ajudar a compensar os carbohidratos que não conseguia repor com o energético dissolvido na água, nem seu sabor de limão amenizava o paladar ruim do líquido. Meu estômago começou a recusar essa água, apelei para os gels, mas não foram suficientes para manter o balanço entre hidratação e ingestão de carbohidratos.

Tecnicamente me mantinha bem, enquanto a maioria carregava ou empurrava sua bike nos trechos técnicos, passei pedalando todos os quatro cursos de água que cruzavam a pista durante o trajeto. Aí ajudaram os pneus e a escolha do óleo para lubrificar minha corrente, usei um White Lightning Wet Ride (http://www.whitelightningco.com/products/lubricants/wet-ride), que em mais de 130 milhas continuava aderido à corrente, proporcionando uma pedalada surpreendentemente silenciosa.

Foto: Arquivo Pessoal

Com a queda no meu desempenho e a consequente diminuição da velocidade média, o último checkpoint demorava mais a chegar, as subidas e descidas constantes e intermináveis se acumulavam, até que com 10 horas ininterruptas de prova, só baixando da bicicleta no primeiro checkpoint e nos pontos de água, meu corpo pediu uma parada. Encontrei finalmente um tipo de armazém abandonado ao lado da estrada com uma boa sombra, tive que parar 10 minutos para me recompor. A essa altura já tinha esgotado meus gels e chews, a água (sanitária) estava pelando.

Foi aí, sentado nessa sombra, sem conseguir fazer a reposição que eu precisava, quando percebi que era hora de virar a chave. Desliguei o modo "Competição" e liguei o modo "Sobrevivência".

Fiz todo um esforço mental para voltar à prova, agora estava mais lento, ainda que me recusava a empurrar. Já fazia parte de um pelotão completamente diferente daquele do início de prova, a maioria dos que dividiam a estrada comigo nesse momento estava numa situação parecida à minha.

Para que você leitor tenha uma ideia, demorei uma hora da milha 140 à 150, perto de onde estava o último checkpoint em Council Grove. Cheguei lá com 11 horas de prova, meu tempo não era tão mau, quanto minha condição física. Estava esgotado, com ânsia de vômito, simplesmente me doía todo o corpo.

Era a hora perfeita para desistir, entretanto eu não treinei um ano inteiro e fiz inúmeros sacrifícios para estar lá e então simplesmente rodar 3/4 de prova para jogar a toalha. Era momento de relembrar o mantra JCVD livremente adaptado por Adil Filoso 😄.

O mantra JCVD ou, para os íntimos Jean-Claude Van Damme, é: "Desistir nunca, render-se jamais!".

Eu, mesmo estando detonado fisicamente, não iria desistir de jeito nenhum!

O Crew for Hire em Council Grove esteve fantástico. Me receberam com cadeira na sombra, me ofereceram de beber e comer. Durante nada menos que uma hora, bebi duas latas de Coca-Cola, suco de pickles, comi dois sanduíches do Subway, um saco de batatas chips, dois comprimidos de Paracetamol e outras coisas que já nem me lembro. Juntei os cacos e passei a me preparar psicologicamente para as últimas 50 milhas de prova. Lá pelas 18:15h eu já me sentia bem melhor.

A tia do checkpoint contou aquela tradicional mentira de ciclista para me incentivar. Ela disse: "As últimas 16 milhas são só descida". Já sabia que era caô, porque nas colinas do Kansas não existe isso, mas achei reconfortante a força que os voluntários do Crew for Hire davam a todos os pilotos que estavam lá na mesma situação de extremo cansaço.

Bora pra Emporia? Pedalando, claro.


Para mim foi quase inacreditável a maneira como consegui me recuperar. De uma situação de P.T. iminente a uma condição bem aceitável que me permitiu regressar à prova pedalando a interessantes 15mph, mais ou menos 24Km/h de media para começar as últimas 50 milhas.

Foi bem agradável pedalar de volta a Emporia, belas paisagens, o sol ainda brilhando, só que mais baixo. A mesma sucessão de subidas e descidas constantes, mas com uma motivação extra para completar a prova.

Esperava inicialmente vencer o sol e chegar em Emporia com o dia ainda claro, mas pelo horário que saí de Council Grove, o mais provável era completar a prova de noite, por isso antes de deixar o checkpoint montei na bike o farol que tinha ido até lá no drop bag.

Depois de mais ou menos outras duas horas de pedal, avistei o famoso sofá da Salsa Cycles, um indício que o final da prova se aproximava.

Parei para a tradicional foto no chaise lounge, o sol estava baixo, mas na posição perfeita para proporcionar uma foto muuuuito legal comigo posando com as bandeiras do Brasil e da minha adorada cidade de Emporia.

Foto: Salsa Cycles

A foto da Salsa foi o incentivo final para rumar em direção à linha de chegada.

Já vislumbrava as luzes de Emporia no horizonte enquanto o sol se punha. Nessa altura do campeonato eu só pensava em cruzar a linha de chegada. Nem queria parar para acender meus faróis, foi então que, naquela luminosidade conhecida como lusco-fusco, passei num buraco sem perceber e saí voando da bike. Esse rola me custou mais algumas posições na classificação geral, não porque me machuquei (dei uns raladinhos só), mas porque a bolsa de quadro arrebentou e tive que parar forçosamente para fazer uma gambiarra. Terminava aí minha cota de perrengues do dia.

Daí por diante foi manter o ritmo e às 21:53h completar a prova. A última reta é sempre espetacular, a população da cidade está lá em peso para te receber, felicitar e apoiar. É uma sensação única! Neste ano cruzei a linha de chegada carregando as bandeiras do Brasil e de Emporia para delírio da galera.

Vídeo: Lifetime Productions

Recebi minha credencial de finisher e meu copo comemorativo. Sim, não tem medalha, é um copo o prêmio aos pilotos que completam a corrida.

Foto: Arquivo Pessoal

Como terminei? Moído, mas muito satisfeito e com a cabeça a mil, já pensando no DK 200 2020 e no que farei de diferente na maior e mais difícil prova Gravel do planeta!



O que funcionou:


1 - Pneus Teravail Rutland 700x42 Durable: Pneus muito eficientes tanto na terra, quanto no asfalto. Praticamente blindados contra furos, surpreendentemente ainda oferecem uma tocada confortável. Seguros nos trechos técnicos.

2 - Transmissao 2x11: Aqueles que tiveram oportunidade de ler o meu relato do DK 2018, vão lembrar que eu defendi uma transmissão do tipo 1X, ou seja, com coroa única na dianteira. Corri assim a Land Run deste ano, mas percebi que no DK um pedivela com coroa dupla tradicional faria mais sentido. Usei um pedivela compacto 50-34 com cassette 11-36 e não faltou marcha em momento nenhum, ainda que muita gente defenda pedivelas do tipo 46-30 para esta corrida.

3 - Chamois Butter: Eu carreguei sachês de Chamois Butter para manter "minhas partes" lubrificadas durante toda a corrida. A cada parada nos checkpoints e pontos de água, eu reaplicava o creme anti-assaduras generosamente. Essa minha atitude, aliada a uma bermuda de qualidade, me permitiu pedalar quase 330Km sem sofrer aquelas tradicionais dores na bunda, ainda que todo o resto do corpo sofreu horrores.

4 - Power bank: Navegação é outro ponto muito importante para seu sucesso no DK 200. Meu GPS é um Garmin 520 cuja bateria definitivamente não aguenta 12 horas de pedal com navegação, por isso levei comigo uma bateria externa de 2.500mAh, bem leve, com menos de 100 gramas de peso. Conectei o power bank ao GPS antes da largada e deixei por 11 horas, até o último checkpoint. O resto da prova fiz com a bateria interna do GPS. Terminei a corrida com bastante carga no Garmin ainda, além do que nem tinha esgotado completamente minha bateria externa.

O que devo mudar para o ano que vem:

1 - Mochila de hidratação: Nas provas de 100 milhas minhas 4 caramanholas dão conta do recado tranquilamente, mas numa corrida de 200 milhas onde o imponderável está presente a cada curva, além das caramanholas, uma mochila de hidratação é realmente necessária, quer goste ou não.

2 - Água: Mandar minha própria água mineral dentro dos drop bags nos checkpoints e garantir uma reposição sem sustos.

3 - Comida: Carregar mais comida sólida para emergências, como sanduíches de manteiga de amendoim, frutas secas, etc.

4 - GoPro: Ainda não adquiri uma, mas para mostrar os seus perrengues e vitórias pessoais, é sempre importante poder contar com uma.


Qualquer dúvida ou dica em relação ao Gravel competitivo, me escreva.

Quer me acompanhar no Dirty Kanza em 2020? Boralá, vai ser um prazer ser seu guia e dividir meus conhecimentos com você.

    Keep Riding Gravel!

2 comentários:

Denio Coelho disse...

Parabéns Amigo! Orgulho por mais um Brazuca raçudo nos representando... Abraços!

Adil Filoso disse...

Valeu meu amigo Denio, precisando de qualquer dica é só chamar. Abs!

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