GRAVEL Zone Brasil / Teste - Mesa com suspensão Redshift Shockstop

Uma ideia bem trabalhada pode fazer a diferença em sua Gravel Bike.

O Mountain Biking teve seu primeiro boom no final da década de 1980, sendo assim os anos 90 começaram borbulhantes em termos de novidades técnicas para a modalidade do Ciclismo que mais se desenvolvia na época. Como todas as bikes eram 100% rígidas, os fabricantes perceberam que a bola da vez seria pensar num formato de suspensão para as cada vez mais velozes MTBs.

Mesa com suspensão Redshift Shockstop 90mm - Foto: GRAVEL Zone Brasil

Enquanto a Rock Shox dava seus primeiros passos, surgiram no mercado pelo menos duas marcas propondo um modelo diferente de suspensão. Ao invés de suspender a bicicleta em si, como fazem as suspensões tradicionais, a ideia era suspender o próprio piloto, daí surgiu a Girvin Flexstem, um tipo de mesa pivotante que funcionava com seu movimento controlado por elastômeros. 

A Flexstem foi lancada custando menos que as Rock Shox e, claro, atraiu a atenção de muita gente. Aqui no Brasil o acesso a produtos do exterior nessa ocasião ainda era difícil e nós tínhamos que ficar esperando quando um amigo viajava e podia trazer alguma novidade. Um dos nossos colegas de pedal era filho de um piloto de aviões e logo apareceu com a Flexstem montada na sua clássica Nishiki, claro que nós, fanáticos por bike e engenharia, fomos testar. E não é que a Flexstem era muito, muito ruim! Ruim de compressão, quase nula em termos de amortecimento e com problemas de torção, o produto deu em nada e caiu no esquecimento com a chegada da era das suspensões.

Mesa Girvin Flexstem na década de 1990 - Foto: Arquivo Web

Quase 30 anos depois, uma ideia que parecia ultrapassada, foi retomada pela jovem marca americana Redshift. Mostrada pela primeira vez no ano de 2015 na plataforma de crowdfunding (financiamento coletivo) Kickstarter, a mesa Shockstop incrivelmente atraiu os olhares de muita gente logo de início, tanto que a fábrica conseguiu juntar quase 90 mil Dólares para bancar a produção dos primeiros lotes do produto.

O que fez a cabeça dos investidores?

Seguramente a maneira como está construída a Shockstop é um dos seus trunfos, ao contrário de sua predecessora de 3 décadas atrás, a mesa da Redshift tem uma aparência bastante sólida. A estrutura pivotante conta com rolamentos selados e sua extensão de perfil ligeiramente retangular, esconde um par de elastômeros que permitem ajustar as características de compressão de acordo ao peso do piloto e seu estilo de pilotagem. A mesa vem de fábrica com 5 elastômeros de diferentes densidades, que combinados podem atender a ciclistas desde 50 até 135Kg. 

A Shockstop está disponível em tamanhos de 80mm (recém lançada) a 120mm com 6 graus de inclinação, possuindo também uma versão com 30 graus de inclinação e somente a opção de 100mm de comprimento. A fabricante afirma que a mesa oferece até 20mm de movimento vertical quando o piloto está com as mãos nos drops e 10mm na parte superior do guidão, por isso, ainda que a Redshift pode ser usada em mountain bikes, é nas Gravel Bikes com guidão drop onde teoricamente aparece todo seu potencial.

A Redshift Shockstop pesou 265 gramas - Foto: GRAVEL Zone Brasil

Similar em aparência a uma mesa normal, a Shockstop pode passar despercebida aos olhos menos atentos.

E na prática?

Mesmo que algumas das principais marcas do mercado tenham desenvolvido sistemas de amortecimento de impactos inerentes à estrutura dos seus quadros e garfos (Salsa, Trek, etc), a pressão dos pneus é ainda a variável mais importante em termos de conforto para uma Gravel Bike, razão pela qual sempre que possível lembramos a nosso leitor o quanto é fundamental converter seus pneus para rodar sem câmaras, entretanto mesmo com uma montagem tubeless existe um limite mínimo de pressão que você pode usar nos pneus sem danificar suas rodas. Se existe um limite de pressão, obviamente também há um limite de conforto. Se você costuma pedalar longas distâncias e, talvez, sua bike pareça rígida demais, é possível que esse limite ainda seja pouco para suas necessidades. 

Recentemente em nossa fan page no Facebook (https://www.facebook.com/p29br) publicamos um post sobre ganhos marginais que poderiam ajudar a melhorar o conforto de sua Gravel Bike, esses ganhos estão diretamente ligados a um dos pontos de contato do ciclista com a bike, o guidão. Falamos daquela tradicional estratégia de passar duas camadas de fita no guidão e mostramos também as placas de gel que você pode montar embaixo da fita guidão. Em ambas as soluções os ganhos podem ser bem pequenos, mas relevantes à medida que os quilômetros na terra seu acumulam e seus braços vão ficando mais cansados. No caso da Shockstop, ainda que seu movimento seja sutil e quase imperceptível, ficamos impressionados como esse ganho em conforto vai muito mais além.

Num primeiro momento montamos a mesa da Redshift seguindo as instruções do fabricante em relação à escolha dos elastômeros. Com 73Kg, montamos os elastômeros amarelo (50) e verde (80), sugeridos para pilotos pesando entre 70 e 84Kg. Saímos para pedalar e notamos que mesmo que o movimento da mesa seja quase imperceptível, nos primeiros 5 minutos você vai sentir que existe algo diferente no seu guidão, sensação que logo desaparece quando você entra na terra e começa a explorar o real potencial do produto.

A mesa Redshift Shockstop vem de fábrica com 5 elastômeros de diferentes densidades - Foto: GRAVEL Zone Brasil

Com a regulagem recomendada pela Redshift, a mesa sim funcionava, mas ainda parecia não mostrar toda sua eficiência. Pelo fato de estarmos mais próximos dos 70Kg de peso e pedalarmos uma bike mais longa (onde nosso peso corporal está mais dividido entre os eixos), decidimos testar os elastômeros indicados para pilotos entre 61 e 70Kg, no caso o laranja (60) e o azul (70). Para substituí-los, é necessário tirar a tampa da mesa e soltar o guidão, aí é só seguir as simples instruções do fabricante, apenas tomando cuidado apenas para não espanar o parafuso do batente que segura os elastômeros. 

Na hora de pedalar com o novo ajuste, quanta diferença! A partir daí a mesa, que no começo parecia mais um produto interessante, passou a surpreender muito positivamente. 

Quando iniciamos os testes, imaginávamos que com a ajuda da Shockstop poderíamos pedalar mais longe, mas não necessariamente mais rápido, pelo fato dela suspender o ciclista e não a bicicleta. Ledo engano, além de ampliar de forma clara nosso conforto sobre a bike, notamos logo que a mesa da Redshift nos proporcionava mais segurança nas descidas, suavizando a forca dos impactos do terreno sobre nossas mãos, o que nos permitiu atacar de maneira mais eficiente os trechos técnicos e, com ela, logo passamos a roubar mais KOMs dos mountain bikers no Strava. 

Nas subidas sua movimentação pode ser considerada imperceptível e uma construção robusta garante que não haja torção no conjunto.

E aí, vale a pena?

A Shockstop é vendida diretamente no site do fabricante e custa U$ 149.99, mais 24 Dólares de envio para o Brasil pelos correios dos Estados Unidos. Chegando aqui você paga os famigerados impostos e o valor final do produto pode bater na casa dos R$ 1500. Não é definitivamente pouco, mas considerando que as mesas tradicionais mais caras chegam a ser vendidas em território nacional por até R$1200, o preço do produto da Redshift não pode ser considerado um disparate e está, inclusive, bem longe do que custaria uma suspensão dianteira que consideramos desnecessária para uma Gravel Bike. Vale ressaltar que ao contrário de uma suspensão propriamente dita, esta mesa não requer nenhum tipo de manutenção especial.

A mesa Redshift Shockstop formando um conjunto harmonioso com a Salsa Warbird - Foto: GRAVEL Zone Brasil

A Shockstop de 90mm pesou 265 gramas, quase o dobro da mesa que ela substituiu, contudo pensando numa Gravel Bike de 10Kg, esse número ainda é menos de 3% do peso total, por isso certamente vamos usá-la para competir na temporada 2021.

Finalmente, pensando em ganho de desempenho e aumento de conforto, a mesa da Redshift vale muito a pena, seja você um bikepacker que quer ir mais longe ou um piloto de competição que quer pedalar mais rápido (e também mais longe) com a sua Gravel Bike. Este é um upgrade que assinamos embaixo!

Pros:

  • Excelente construção e facilidade de ajuste
  • Conforto adicional que você sente de verdade
  • Mais controle da bike nos trechos técnicos

Contras:

  • Preço

   

 

#KeepGravelRiding

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