GRAVEL Zone Brasil / Teste - Canote com suspensão Redshift Shockstop

Genial, bugiganga ou uma bugiganga genial?

Em meados do ano passado o GRAVEL Zone Brasil começou a testar os dois principais produtos da marca americana Redshift Sports, ambos supostamente com grande vocação para equipar Gravel Bikes. Primeiro apresentamos sua mesa com suspensão, que já virou item obrigatório em nossas bikes e cujo desempenho detalhamos numa análise publicada anteriormente no site (https://www.gravelzone.com.br/2020/09/mesa-com-suspensao-redshift-desempenho-para-gravel-bikes.html). Paralelamente, passamos os últimos 7 meses usando também seu canote com suspensão. A ideia foi testar os dois produtos separadamente e em bikes distintas, justamente para poder identificar de forma clara os benefícios e eventuais falhas de cada um.

Canote com suspensão Redshift Shockstop - Foto: GRAVEL Zone Brasil



A primeira impressão, quando retiramos da caixa o canote da Redshift, foi de um produto bastante bem acabado, mas relativamente pesado: 540 gramas em nossa balança. Lado a lado com um canote tradicional de alumínio com as mesmas medidas, o produto da Redshift pesa o dobro, contudo, a nível de comparação, tem peso similar aos principais modelos de canotes telescópicos disponíveis no mercado.

Peso do canote com suspensão Redshift Shockstop: 540 gramas
Peso do canote com suspensão Redshift Shockstop: 540 gramas - Foto: GRAVEL Zone Brasil

Na verdade este é um produto concebido primordialmente para Gravel Bikes e só está disponível no diâmetro de 27.2mm, contudo nada te impediria de usar um adaptador para montá-lo em quadros com tubo de selim de maior diâmetro, assim como em mountain bikes ou em bicicletas híbridas. A própria fábrica vende esses adaptadores, mas você também encontra fácil pela internet.

Canote com suspensão da Redshift em sua embalagem original
Canote com suspensão da Redshift em sua embalagem original - Foto: GRAVEL Zone Brasil

Em termos de funcionamento, seu movimento é baseado em links construídos em forma de paralelogramo, oferecendo interessantíssimos 35mm de curso controlados através de uma mola helicoidal (ou duas) montada internamente no tubo do canote. Seu funcionamento permite que o selim se mantenha perfeitamente nivelado durante o movimento, contudo cabe destacar que esse selim deverá estar posicionado 6mm mais alto e 5mm mais avançado em relação ao seu bike fit realizado um canote tradicional, isso para compensar o SAG, aquela parcela de compressão inicial da suspensão decorrente do peso do ciclista, quando o mesmo se coloca sobre o selim. O ajuste do selim é feito através de dois parafusos protegidos por uma inteligente tampa magnética que evita a entrada de contaminantes no mecanismo do canote.

Tampa magnética protege os parafusos e o mecanismo do canote - Foto: GRAVEL Zone Brasil


Anteriormente o GRAVEL Zone Brasil já tinha experimentado o canote Thudbuster ST da Cane Creek de desenho similar, mas cujo o curso é controlado por um elastômero. Ainda que o produto da Cane Creek seja cerca de 100 gramas mais leve, a progressividade da curva de amortecimento inerente aos elastômeros praticamente não permite o uso de todo o curso disponível, bem como seu movimento se sentia pouco fluido (ativo) para um uso off-road mais pesado.

Ajustando o canote ao piloto

Com um peso corporal de 73Kg, mais capacete, uniforme, sapatilha, etc, começamos os testes com a configuração de fábrica, ou seja, apenas uma mola instalada e a pré-carga na posição 4 (o máximo recomendado pela Redshift). Desde a primeira rotação do pedivela, este canote com suspensão já demonstrava suas qualidades, mas atenção, você precisa modificar um pouco seu estilo de pedalada e passar mais tempo sentado no selim para aproveitar ao máximo as vantagens oferecidas pelo equipamento. 

Regulagem de pré-carga no canote da Redshift
Regulagem de pré-carga no canote da Redshift - Foto: GRAVEL Zone Brasil


Mesmo com o inerente movimento gerado pelo próprio ato de pedalar, o "bob" típico de qualquer sistema de suspensão é quase imperceptível aqui, o canote invariavelmente reage a cada imperfeição no caminho, com isso ficou mais fácil despejar potência nos pedais nos terrenos acidentados, com um claro ganho de controle e, principalmente, conforto, mais nos trechos planos e nas descidas, contudo não podemos deixar de mencionar a questão do peso do produto. 

Inicialmente experimentamos o canote da Redshift em uma Gravel Bike com quadro em alumínio e componentes intermediários, uma bicicleta na casa dos 11Kg, saímos para pedalar e não sentimos nenhuma influencia do peso do canote sobre a performance da bike, contudo quando montamos o canote em uma Gravel Bike com quadro em fibra de carbono e peso total de cerca de 9 Kg, o aumento de massa proporcionado pelo uso do produto da Redshift ficou muito mais evidente, pelo menos nos primeiros dias de pedal.

Consideramos que para um uso mais urbano ou para o Bikepacking a regulagem inicial é a mais adequada, entretanto para o Gravel Competitivo preferimos instalar a mola adicional, um procedimento bastante simples, que não leva mais de 5 minutos empregando uma chave allen de 4mm. Com as duas molas montadas, foi possível diminuir a pré-carga para a posição 2. Independente da maneira como preferir configurar o canote, o Shockstop da Redshift é definitivamente no mercado o que mais se aproxima do desempenho de uma suspensão traseira real.

O produto da Redshift em ação
Canote Redshift Shockstop na Diamondback Haanjo 3 - Foto: GRAVEL Zone Brasil


Existem outros tipos de canotes que prometem oferecer algum amortecimento com base no arranjo das fibras do carbono com o qual estão construídos, os de melhor reputação nessa categoria são o modelo da Ergon, o Cannondale Save, o Niner RLT e o Specialized CG-R, ainda que bastante leves (e caros), o ganho de conforto proporcionado por eles é muito sutil, em alguns casos são um pouco mais eficientes, como o Ergon e em outros menos, como o Specialized, ainda assim bastante longe do benefício alcançado por mais este excelente produto da Redshift.

Vale a pena comprar?

Assim como acontece com outros componentes que não estão disponíveis no mercado nacional e você precisa adquirir direto no exterior, o "Custo Brasil" é fator preponderante no preço total do produto, que sai dos Estados Unidos custando menos de 230 Dólares e pode chegar à sua porta no Brasil valendo até 2.500 Reais, considerando frete e os absurdos impostos cobrados pela alfândega brasileira. Ainda assim, se você é um Graveleiro que costuma rodar altas quilometragens mensalmente, ou até aqueles que participam de eventos de longa distância em vários dias de pedal, como o já famoso Inca Divide, o investimento vale a pena, até o ponto que aquele seu selim não tao confortável pode parecer melhorar muito a partir do momento que você instalar o canote com suspensão da Redshift. Por outro lado, temos que mencionar também que as bolsas maiores de Bikepacking que vão fixadas ao selim e ao canote não são compatíveis com este produto, ainda assim as bolsas de selim comuns, usadas para guardar itens pequenos, podem ser montadas sem problema. 

Este canote com suspensão de fato nos conquistou e a partir de agora é presença constante em nossas bikes de treino, como a Salsa Warbird que modificamos para fazer as vezes de uma "allroad" com  transmissão mais pesada e pneus mais estreitos (33mm), só que com praticamente o mesmo conforto de antes, graças ao canote Shockstop da Redshift. Essa é uma bike que foi montada para aqueles pedais com uma maior parcela de asfalto, mas que ainda envolvem trechos de terra. Nas cicloviagens e nos deslocamentos urbanos este canote com suspensão também brilha, já para as competições Gravel de um único dia, preferimos ainda seguir usando um canote tradicional de carbono.

Canote com suspensão da Redshift montado na Salsa Warbird
Canote com suspensão da Redshift montado na Salsa Warbird - Foto: GRAVEL Zone Brasil


Claro que muitos podem argumentar: "Se você quer suspensão, então compra uma Mountain Bike". De todas as formas, o fato é que quem curte as vantagens de pedalar uma Gravel Bike, vai realmente agradecer o conforto extra proporcionado pelo canote com suspensão da Redshift, sem contar que esse mesmo piloto vai se perceber pedalando ainda mais rápido nas estradas acidentadas com o auxílio deste brilhante equipamento.

Respondendo a pergunta inicial: este é de fato um produto genial, o melhor da categoria. Você pode viver sem ele? Com certeza sim, contudo na maioria das situações sua Gravel Bike vai ficar muito melhor com ele!

Keep Gravel Riding!

 

Pros:

  • Considerável ganho de conforto
  • Mais desempenho nos caminhos acidentados
  • Manutenção zero

Contras:

  • Peso
  • Impossibilidade de uso de uma bolsa de selim de Bikepacking
  • Custo Brasil

Comentários

  1. Boa tarde! Vocês chegaram a ter acesso ao canote da Sense que compõe a Gravel Versa Evo? Também tem um sistema de amortecimento, mas estou sem conseguir maiores informações deste produto. Será que valeria a pena? Sempre fico na dúvida em relação ao "pula-pula" e na influência do pedal.

    Descobri apenas hoje o blog e estou gostando bastante. Parabéns!

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    Respostas
    1. Olá Harlan, obrigado por acompanhar o GRAVEL Zone Brasil.

      Esse canote da Sense é o típico modelo "chinês" que em geral só serve para aumentar o peso da bike, com um amortecimento sem muito controle ou benefícios reais, fuja desse tipo de produto.

      Qualquer dúvida, estamos à disposição.

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    2. Muito obrigado, Adil! Achei a Sense Versa Evo mais ou menos do jeito que tô procurando, que é pra fazer bikepacking e longas distâncias, mas a falta de furação pra caramanholas no quadro e garfo um selim de 50 conto (em uma bike de 10 mil) e esse bendito canote me desanimam. Teria que gastar mais um valor em cima pra deixar do jeito que quero. Mas o grupo GRX 400 é justamente o que tô procurando.

      Continua minha busca...rs...

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    3. O grupo realmente é muito bom, mas concordo inteiramente com você em relação aos outros pontos, por exemplo, a Kona tem ótimas bikes para bikepacking, com inúmeros pontos de fixação, mas acho difícil você encontrar aí.

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